sexta-feira, abril 28, 2006

Pedras

Vida em refluxo
o fluxo inverso, imenso, imerso.
Mais morte do que vida
Morte
Sorte

Coração batendo do avesso
Bombeia o sangue pra dentro
Enfim, O fim do Começo.

Perdida em palavras d'água
Não sou mar, ou ar.
Nada

O que fazer quando se voa do avesso?

domingo, abril 23, 2006

Dormindo entre as pausas




Pergunta lançada ao vento .
Resposta inusitada.
Pegou de surpresa na nuca, e não por onde eu olhava.
Olhando, olhando olhando.
Mas, sempre desacordada.
Saltei do sonho num sopro.
Em uma noite de terra molhada.

sexta-feira, abril 07, 2006

Mais uma vez olho daquele jeito as pessoas a minha volta.
Tanto as que estão sentadas dentro do ônibus que me leva para casa,
como para as outras que caminham vagarosamente
em baixo de um sol escaldante, nas calçadas.

Tenho a impressão de que estão todas mortas, inclusive eu.
Um mundo onde todos já morreram mas, ainda não perceberam.
Caminham lado a lado, com o único fim de tornarem reais as fantasias
de vida uns dos outros.

A cobradora gorda e suada parece especialmente morta.
Putrefata eu diria.
Vigiando a tudo e a todos, com seus olhinhos cerrados,
enquanto minúsculas gotículas de suor se acumulam sobre o lábio superior.
Tenta ver tudo.
Especialmente morta.

Lembro das tripas jogadas no meio da auto pista do aterro do flamengo,
algumas horas antes.
Tripas de verdade, de gente, viva, jogadas alí, dentro de um saco.
Desova provavelmente. Sendo estraçalhadas pelos carros,
pela velocidade dos carros.

Tripas que irônicamente, a primeira vista, poderiam ser folhas secas.
Mas, que exalavam um cheiro fétido que atravessava as janelas e
impregnava qualquer pensamento ou ambiente de uma maneira
que só algo muito vivo pode fazer.

-Cheiro de podre
pois, a morte
cheira a flores.

Todos nós, eu, a cobradora com seu bigode de gotículas, todos os passageiros e o meu amigo Pedro, que vi passar pela janela, nenhum de nós estava tão vivo quanto aquelas tripas e o seu fedor.

Elas não ocupavam o lugar mais adequado.
Definitivamente asfalto não combina com tripas.
Estavam alí trocadas, erradas, vivas.

Olho em volta, começo a pestanejar.
O ronco do motor e o calor de um início de tarde de outono
vão me embalando.
Luto contra. Penso no banho a tomar, na comida a fazer
e no próximo ônibus a tomar.
Desperto. Para seguir a minha vida assim
bem acordada.

terça-feira, abril 04, 2006

Em aberto

Sorrisos frios
lágrimas quentes
Lance no espaço Perdi o controle
Não faz mais sentido
Ficou tudo vivo
Fico de pé
equilibrio
Não existe mais chão.
Desconexão
Conexão.
Desconexão

Não existe razão...